11.2.11

Impacto - capítulo 3

Quando acordei estava em casa, sim estava em minha casa, na minha cama. Não fazia a menor ideia de como tinha vindo ali parar, a última coisa que me lembrara foi da novidade que Julie me tinha dado e depois não me lembrava de mais nada, como se me tivesse apagado e enquanto tormentava a minha memória, alguém se aproximou de mim, passando-me a mão pelo cabelo. Era Dave.
- Como te sentes, querida?- perguntou, sentando-se na cama.
- Confusa.- respondi.
- Já sei que queres que te diga o que se passou ontem.- sorri-lhe ironicamente e ele suspirou profundamente e começou a falar do que se tinha sucedido.- Não sei até que parte de lembras, tu foste para a empresa e acabaste por encontrar a Julie que te levou a almoçar para falarem melhor, estiveram a falar do teu irmão até que ela te disse uma "novidade" como ela me explicou e tu acabaste por desmaiar, amor. Ela levou-te ao hospital e eu fui ter lá, estavas fraca mesmo quando já estavas consciente, talvez seja por isso que não te lembres de como vieste aqui ter.
Enquanto eu processava a informação toda, Dave abraçou-me delicadamente.
- Pregaste-me um grande susto, Kate.
- Desculpa Dave.- disse entre soluços.- Eu...eu não te queria preocupar.
Ele largou-me cuidadosamente e colocou as suas mãos quentes sobre a minha cara, consegui ver através das lágrimas a sua preocupação, ficando em estado de choque por uns breves segundos e depois limpou-me as lágrimas.
- A Kate...a Kate está grávida do Andrew.
Ele não disse nada, mas ele via que eu não estava assim por causa da criança mas sim pelo pai dela. Não sabia se aguentava dali a uns meses, olhar para ela e ver o rosto do meu irmão. Lembrar-me da sua partida, do miseravél acidente, do assustador funeral. Talvez Kate sentisse o mesmo, ou talvez estivesse feliz porque teria sempre algo de Andrew, não lhe chegara a perguntar se Andrew ainda chegara a saber da notícia, ficaria eurófico, maravilhado, seria o momento mais feliz da sua vida ver o bébé ou a bébé. Será que eu era capaz de ser uma boa tia, mesmo com a dor que ver aquela criança me causasse?
Fiquei a matutar estas questões nos braços de Dave durante bastante tempo. Até o despertador tocar, Dave tinha de ir trabalhar, por isso levantei-me da cama, arranjei-me e fui-lhe preparar o pequeno almoço. Depois deste mesmo estar pronto, fui buscar o correio.
Tinha um monte de cartas, contas, pensei mas depois de pegar na primeira fiquei curiosa. Era da empresa de Julie. Tinha sido aceite e nem sabia como, tinha desmaiado durante o almoço e de tudo o que falei Julie, trabalho nunca foi chamado ao barulho, será que tinha gostado do meu currículo? Bem, amanhã lá descobriria.
Depois peguei na carta seguinte, que apenas tinha o meu nome, abri-a e retirei o seu conteúdo. Eram fotografias. Ao princípio não percebi o que via, era montes de fotografias onde aparecia um carro totalmente destruído e foi aí que percebi. Eram fotografias do acidente de Andrew.
Senti as minhas pernas a tremer, entrei em casa e fiz o esforço de ir para o quarto. Coloquei todas as fotografias sobre a cama. Quem tinha fotografado tinha tirado desde o momento que Andrew e o carro estavam bem até ao embate, peguei numa foto e virei-a sem razão, mas por detrás da foto tinha uma mensagem : "A morte do teu irmão não foi um mero acidente. Sei que isto te pode assustar, mas os culpados têm de ser encontrados!" .
Culpados? Não fora um mero acidente? Só sentia a minha cabeça a explodir, mas mesmo assim peguei nas chaves do carro e dirigi-me até ele. Sem saber para onde ia, sem saber o que iria fazer, liguei o motor e fui para onde quer que fosse.
Quem poderia ter feito isto a Andrew? Porquê?
Embora não soubesse quem me teria mandado aquelas fotos, eu confiei que aquele acidente não fora acidental, algo me dizia que sim e eu ia descobrir-los.
Nem que fosse a última coisa que eu fizesse!

11 comentários:

  1. Olá! Estou a adorar esta tua história! Fiquei perplexa com o acidente de Andrew que afinal não foi bem um acidente! A música que colocaste como fundo do Aexandre Desplat, dá um toque especial à tua história! Amei mesmo! beijinho! :*

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  2. Acho que fizeste bem colocar um pouco de drama! Eu sou adepta de dramas, como já deves ter percebido! :D Obrigada pelo comentário!! beijinho!!!:*

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  3. Oh! Não digas isso! :) Temos uma maneira diferente de escrever e de nos expressar. Eu não considero os meus bons. São apenas aquilo que eu gosto de ler :) E os teus, com toda a sinceridade, encantam-me! Principalmente este porque eu realmente sou "apanhadinha" por dramas e finais macabros! :D Eu espero seriamente que continues porque senão vou ficar com muita curiosidade!!!!

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  4. Os meus também são textos amadores. Não tenho qualquer formação na área, nem sequer estou numa área que me permita vir a ser uma famosa escritora nem nada do género, embora já me tenha arrependido disso... :) Ainda bem que gostaste dos meus textos anteriores :) nunca pensei que causassem um efeito desses porque pronto... são coisas que eu me dedico mas não de corpo e alma! :D beijinho!!!

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  5. Para dizer a verdade, o meu grande sonho era mesmo ser escritora, mas não me acho com talento suficiente. Não chego aos calcanhares sequer de Brontë ou de Austen! Mas eu fiz uma grande asneira em ir para ciências em vez de ir para humanidades porque eu sempre tive mais propensão para Letras, mas também tinha para Biologia. :) Eu se calhar vou mudar de área para o ano, mas ainda não sei! Obrigada mais uma vez pelo teu simpático comentário!

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  6. Em Portugal é muito difícil obter qualquer tipo de reconhecimento, e para além do mais, não passo de uma rapariga com 16 anos! É uma idade em que todos pensam que é idade da maluqueira e essas coisas! :) Mas olha que eu acho que também não te sairias nada mal! :)

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  7. Também estou adorando esta história carregada de emoção!

    Bjo

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  8. oh, ainda bem que gostaste +.+
    tens mesmo de continuar com esta história *-*

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