14.2.11

Impacto - capítulo 4

Fui até ao Sul da cidade, onde havia o único sítio calmo, sem termos de ouvir qualquer barulho incómodo. Já não ia àquela praia desde que eu e Dave tinhámos encontrado por milagre a aquela casa adorável. Mal saí do carro e o fechei, tirei os sapatos para poder caminhar naquela fria e confortável areia, conseguia sentir o calorento vento a fazer o meu cabelo dançar, fechei os olhos e deixei-me cair na areia.
Permaneci assim durante longos até que senti alguém a aproximar-se. Ao princípio não reconheci aquele indivíduo mas assim que me falou apercebera-me que era Jeremy. Jeremy fora colega de Andrew durante muitos anos, até chegaram a partilhar a casa com mais outro rapaz cujo nome não me lembrava naquele momento. Jeremy sentou-se a meu lado, colocando a sua prancha de surf perto de si, estava diferente, já não tinha aparelho e começara a parecer-se mais maduro, estava muito melhor sem dúvida. A meio da conversa decidi investigar.
- Então já há algum tempo que não te via, lá em casa...-comecei.
- É normal, há cerca de dois meses a minha mãe teve um acidente e ficou bastante mal, por isso tive de ir para casa durante uns tempos, agora que a minha irmã regressou da viagem sinto-me menos preocupado. Voltei à dois dias, mas encontrei a casa deserta, que é feito do teu irmão?- perguntou todo curioso.
Nesse momento, senti o mundo a cair-me em cima, baixei a cabeça de modo a colocá-la entre os joelhos.
- Jeremy, o Andrew morreu.- expliquei.
Jeremy olhou para o mar durante muito tempo, sem dizer nenhuma palavra e no fim depois de abanar a cabeça uma dúzia de vezes acabou por dizer:
- Como?- perguntou.
- Teve um acidente de aviação.
Ele ficou perplexo.
- O Andrew? Não pode ser, ele sempre teve um cuidado imenso ao conduzir!- exclamou.
Eu pensara o mesmo quando me deram a notícia, por momentos quis falar-lhe das fotografias mas contive-me, aliás porque primeiro tinha de investigar.
- Pois...olha Jeremy, posso ir lá a casa, tenho lá umas fotos e umas coisas que gostaria de guardar.- não tinha mentido de certa forma, apenas ocultado alguns motivos.
- Claro, Kate, quando quiseres.
- Pode ser agora?- perguntei.
Ele acentou com a cabeça e de seguida perguntei se queria boleia. Vinte minutos depois encontrava-me perto da casa de Andrew, tinha receio de lá entrar e deparar com algo que comprova-se que alguém tinha assassinado o meu irmão e tinha receio de deparar com nada que me ajudasse. Jeremy tinha-me dado a chave pois tinha ido guardar a sua prancha. Cada degrau que subia parecia dez vezes mais longo e quando cheguei perto da porta, hesitei por segundos, mas tinha de o fazer.
Abri a porta e entrei de seguida. Ao princípio, não via nada que não parecesse normal, mas tambem do que é que estava à espera? Da sala toda virada do avesso, com sangue por tudo o que fosse sítio? Talvez me tenha levado por aquelas séries de telivisão.
Dirigi-me calmamente até ao quarto de Andrew, respirando fundo a cada passo que ia dando, abri a porta e mais uma vez...Nada de surreal. Tinha mesmo de deixar de pensar que seria como na televisão! Tinha de abrir mais a minha mente, quem fizera aquilo ao meu irmão não era do tipo de deixar tudo como calhar, agia ou agiam discretamente. Parecia tudo estar normal, até que deparei-me a olhar para o telemóvel, sentei-me na cama e decidi ir às mensagens.
No dia do acidente, recebera duas, uma de Kate e outra de um número desconhecido. Por instinto, decidi ouvir a de Kate primeiro. Andrew sempre ficara a saber que iria ser pai!
Senti-me feliz por uns instantes, mas mal acordei para a realidade fiquei desapontada, ele merecia ver a sua criança a nascer, acompanhar o seu processo de crescimento e desenvolvimento.
Sentia raiva a percorrer-me as veias até chegando a ter vontade de atirar aquele miserável telemóvel contra a parede.
Respirei fundo, uma, duas, três vezes, procurando acalmar-me.
Tinha de ouvir a outra mensagem, mas por alguma razão, tinha um mau pressentimento.

10 comentários:

  1. Gostei...

    Aproveito para deixar o endereço do meu blog http://viagemsemretorno.blogspot.com/

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  2. Gostei dos posts e do blog. Obrigado por me seguires, vou fazer o mesmo querida :)

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  3. Olá! Obrigada pelo teu simpático comentário! Tenho a dizer-te que deves, sem dúvida, continuar esta tua história! Está a deixar-me empolgada e curiosa. beijinho!!!!

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  4. Mas causa mesmo um óptimo impacto! A sério estou a gostar mesmo muito! beijinho!

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  5. Oh! que querida! *.* Obrigada, a sério! beijinho!

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  6. Obrigada pelo teu comentário! Confesso que também vou ter saudades de estar sempre a pensar no próximo capítulo! :D Espero que continues a tua!!! beijinho!

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  7. Só uma pergunta. Kate é a irmã certo, é ela que relata a história? Então a mensagem que ela ouviu foi da Julie e não da Kate ou estou errada?

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